POBREZA E TUBERCULOSE: um binômio persistente na Bahia, Brasil

Resumo

O adoecimento por tuberculose está relacionado diretamente à variável biológica/imunológica, mas também encontra condições favoráveis ao seu desenvolvimento a partir de determinantes sociais como as aglomerações populacionais, pobreza, iniquidade de renda e más condições de habitação e nutrição bem como as comorbidades, como infecção HIV/Aids, diabetes mellitus e desnutrição, cepas resistentes ao medicamento ou multidroga resistência e a história prévia de tuberculose. Diante desta ampla gama de fatores é que este artigo pretendeu apresentar o panorama da tuberculose no Estado da Bahia dentro de uma série histórica de 14 anos. Calculou-se a incidência da doença em cada um dos nove núcleos regionais de saúde do Estado e foi feita a comparação entre eles, avaliando seus principais vetores. A busca dos dados foi realizada no primeiro bimestre de 2020 através da Plataforma de Informações de Saúde do DATASUS. Foi selecionado o número de casos por local de residência, por NRS, e Ano a Ano de notificação. Foram incluídas na análise todas as notificações de todos os anos disponíveis referentes ao período de 2006 a 2019. Para calcular a incidência da doença foram utilizados os dados populacionais dos NRS disponibilizados no DATASUS gerados a partir dos censos populacionais e projeções intercensitárias realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A fim de levantar hipóteses que expliquem a permanência deste agravo em seu território, a incidência de tuberculose foi descrita por núcleo regional de saúde, enfatizando as regiões Leste (Salvador e seu entorno), Sul e Extremo Sul como detentoras dos maiores coeficientes. Chegou-se à conclusão que é preciso o desenvolvimento de estudos sistemáticos e aprofundados tanto referentes aos aspectos clínicos e biomédicos quanto aos fatores sociais relacionados à tuberculose para um melhor entendimento do processo saúde-doença no terreno investigado para melhor nortear intervenções eficazes de prevenção, controle e reabilitação.

Biografia do Autor

Alciene Pereira da Silva, Universidade Federal da Bahia

Enfermeira, mestre em Meio Ambiente, doutoranda em Enfermagem pela UFBA

Lacita Skalinski, Universidade Estadual de Santa Cruz

Enfermeira, mestre em Saúde Pública, doutoranda em Saúde Coletiva pelo ISC/UFBA.

Departamento de Ciências da Saúde, Universidade Estadual de Santa Cruz

Roque Pinto, Universidade Estadual de Santa Cruz

Antropólogo, doctor europaeus em Antropologia Social. Departamento de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Santa Cruz

Publicado
2021-10-18
Como Citar
da Silva, A. P., Skalinski, L., & Pinto, R. (2021). POBREZA E TUBERCULOSE: um binômio persistente na Bahia, Brasil. Diálogos Interdisciplinares, 10(1), 233-246. Recuperado de https://revistas.brazcubas.br/index.php/dialogos/article/view/1015