Homan square: a condição subalterna no gueto norte-americano

  • Pedro Jorge Lo Duca Vasconcellos Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
  • Mariane Aparecida do Nascimento Vieira Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Gueto, Subalternidade, Chicago, Homan Square.

Resumo

Partindo dos pressupostos de Antonio Gramsci sobre a classe subalterna na sociedade italiana do início do século XX, as análises sobre a condição de subalternidade ramificaram-se de tal modo que, nos dias atuais, implica uma vasta área de conhecimentos e realidades sociais, sobretudo a partir de movimentos intelectuais do período pós-guerra. Nesse sentido, os Estudos Culturais e a Teoria Pós-Colonial se apresentam como tentativas desse deslocamento semântico do termo subalterno para pensar as diversas realidades envolvendo grupos sociais que vivenciaram manifestações de intolerância no período dos colonialismos e das escravidões, revelando as novas roupagens das assimetrias de poder entre dominados e dominantes. Estas teorizações foram em grande parte elaboradas por intelectuais provenientes da diáspora de antigas colônias europeias na África e Ásia. No entanto, a ideia tão presente nestes autores de uma identidade fluída que misturaria, embora desproporcionalmente, elementos do colonizador e do colonizado é desafiada por realidades sociais onde as diferenças se mostram de modo mais radical. Pensando a realidade norte-americana, seu histórico de segmentação étnico-racial em várias regiões fora viabilizado por sucessivas políticas de segregação e violência racial que ainda em nossos dias deixam marcas latentes. Embora extinta a criação de leis antimiscigenação desde os anos 1960, um fenômeno persistente desse contexto discriminatório está na construção de espaços destinados ao não contato entre diferentes grupos étnico-raciais, onde o gueto é historicamente percebido como referência metonímica destas medidas segregacionistas. Contudo, para além da mera separação territorial, estes espaços são socialmente revestidos por estigmas de múltiplas naturezas que resultam em condutas violentas dos agentes oficiais. Este parece ser o caso do armazém de tortura em Chicago conhecido como Homan Square, um local em que a cor da pele torna-se fator determinante para o abuso da força da lei.

Publicado
2016-10-27
Seção
Artigos