AVALIAÇÃO DA POLIFARMÁCIA EM PACIENTE IDOSO COM MULTIMORBIDADE

Um estudo de caso

  • Bruna Yasmim de Freitas Centro Universitário Braz Cubas
  • Emy Tiyo Mano Centro Universitário Braz Cubas
  • Priscila Andrade de Oliveira Centro Universitário Braz Cubas
  • Cristiane Cardoso de Oliveira Centro Universitário Braz Cubas
  • Jenifer Aline da Silva Centro Universitário Braz Cubas
  • Alexandre Rodrigues Centro Universitário Braz Cubas
  • Fernanda Maria Duarte Rodrigues Centro Universitário Braz Cubas
  • Cauê dos Santos Lima Centro Universitário Braz Cubas
  • André Willian Hollais Universidade Braz Cubas / Docente
Palavras-chave: Polifarmácia, Multimorbidades, Doença de Addison

Resumo

A polifarmácia é crescente na prática clínica, principalmente em pacientes acima de 65 anos, devido ao aumento da expectativa de vida e a consequente incidência de multimorbidade, à maior disponibilidade de fármacos e de linhas-guia que recomendam o uso de associações medicamentosas para o manejo de várias condições de saúde. A associação otimizada de fármacos pode melhorar a qualidade de vida do paciente, por outro lado, terapias inadequadas podem ocasionar reações adversas e interações medicamentosas. O presente estudo propõe uma revisão de literatura sobre alterações clínicas e condutas terapêuticas para o tratamento de uma paciente com a Doença de Addison (DA), além de comorbidades que incluem a Osteoartrose (OA), Diabetes Mellitus Tipo II (DM2) e Hipertensão Arterial (HA), visando fornecer uma análise crítica para uma associação otimizada de fármacos a fim de minimizar danos, aumentar a longevidade e melhorar a qualidade de vida da paciente. Baseia-se no levantamento do histórico farmacoterapêutico. O caso clínico envolve a paciente A.M.G., sexo feminino, 77 anos, 83,5 Kg e 1,49m. Diagnosticada com DM2 descompensada, com picos episódicos de hipoglicemia de jejum abaixo de 80mg/dL, e 320mg/dL pós-prandial. HA controlada sob medicação. Uso crônico de corticosteroide devido à DA primária e de AINE devido a queixas de dor causada pela OA. Apresenta insuficiência renal crônica, queixa de déficit de acuidade visual progressiva, desconforto abdominal e frequentes episódios de diarreia e vômitos, além de dificuldade para execução de atividades diárias. Medicamentos em uso: Metformina 850 mg 1 comp., VO, 3x dia; Gliclazida 80 mg 1 comp., VO, 2x dia; Insulina NPH 100UI/mL, 15 UI SC pela manhã, em jejum, e 12UI SC à noite, após jantar; Aradois® (losartana) 50 mg 1 comp., VO, 2x dia; Profenid® (cetoprofeno) 100mg 1 comp., VO, 2x dia; prednisona 5 mg 2 comp., VO, 1x dia. Para avaliação da terapêutica do caso clínico, foi realizada revisão de literatura de artigos científicos especializados, disponível em base de dados eletrônica. A reposição de glicocorticoide (prednisona) no tratamento da DA é válido, pois possui pequeno efeito mineralocorticoide e menor incidência de miopatia do que os glicocorticoides fluorados, como a dexametasona. Porém, o diagnóstico de HA na paciente pode indicar excesso de mineralocorticoide (10mg/dia), sugerindo a alteração para a menor dose possível, onde muitos pacientes conseguem controle satisfatório dos sintomas com doses de 2,5 a 3,75 mg/dia. Quanto à condição da OA, a paciente apresenta fatores predisponentes favoráveis ao seu desenvolvimento, como a DM2, a idade avançada e obesidade (IMC > 35). A indicação de um AINE é a primeira linha de tratamento, o que justifica a prescrição do Profenid®. No entanto, o médico deveria se atentar ao fato da paciente apresentar insuficiência renal crônica, para o qual o cetoprofeno não seria indicado, uma vez que o AINE bloqueia a síntese de prostaglandinas, impedindo seu efeito vasodilatador, causando vasoconstrição renal e redução da filtração glomerular. Embora sua meia-vida curta possa diminuir os efeitos gastrointestinais, a associação de Profenid® e prednisona pode aumentar o seu risco, apresentado como queixa pela paciente. Sugere-se mudanças no estilo de vida da paciente e uso de AINE tópico e injeção de hialuronato de sódio. O uso de cetoprofeno em associação com metformina, gliclazida e insulina também podem ter uma possível potencialização do efeito hipoglicemiante.  Devido a comorbidades, a insulina ainda é a prescrição terapêutica antidiabética recomendada. A gliclazida pode ser mantida, principalmente em casos de tratamento com metformina na dose máxima e que ainda não atingiram o controle glicêmico, no entanto, é recomendado uma revisão posológica da insulina e ingestão adequada de carboidratos para minimizar os picos glicêmicos. Assim, foram observadas possibilidades de adequação na terapia da paciente, que poderia resultar em uma melhor resposta terapêutica e minimização de efeitos adversos, demonstrando a importância da atuação do farmacêutico concomitante a equipe médica, principalmente em casos de pacientes com multimorbidades, a fim de garantir que a polifarmácia, realidade presente, seja segura e eficaz, com redução do número de medicamentos inapropriados, melhores associações e a adequação das dosagens. Palavras-chaves: Polifarmácia; Multimorbidades; Doença de Addison.

Biografia do Autor

{$author}, Centro Universitário Braz Cubas

Discente do curso de bacharelado em Farmácia do Centro Universitário Braz Cubas.

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Discente do curso de bacharelado em Farmácia do Centro Universitário Braz Cubas.

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Discente do curso de bacharelado em Farmácia do Centro Universitário Braz Cubas.

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Discente do curso de bacharelado em Farmácia do Centro Universitário Braz Cubas.

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Discente do curso de bacharelado em Farmácia do Centro Universitário Braz Cubas.

{$author}, Centro Universitário Braz Cubas

Docente colaborador do curso de bacharelado em Farmácia do Centro Universitário Braz Cubas.

{$author}, Centro Universitário Braz Cubas

Docente colaborador do curso de bacharelado em Farmácia do Centro Universitário Braz Cubas.

{$author}, Centro Universitário Braz Cubas

Docente colaborador do curso de bacharelado em Farmácia do Centro Universitário Braz Cubas.

{$author}, Universidade Braz Cubas / Docente

Possui Bacharelado em Farmácia - Modalidade generalista - pela Universidade Braz Cubas (UBC, 2009), Mestrado em Farmacologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP, 2012) e Doutorado em Ciências pelo Programa de Pós-graduação em Farmacologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP, 2017). Possui experiência em Neurociência Comportamental, em modelos animais de transtornos mentais, em Farmacologia com ênfase em Neuropsicofarmacologia e na Dependência por substâncias psicoativas. Estuda a influência do estresse por privação alimentar sobre a maior sensibilidade a drogas de abuso. Desde 2013 é docente titular das disciplinas de Farmacologia, Farmácia Hospitalar e Clínica, Fisiologia Humana e Toxicologia da Universidade Braz Cubas, onde leciona para os cursos de Farmácia, Odontologia, Enfermagem e Estética. Desde 2016 leciona para os cursos de Pós-graduação Lato Sensu em Farmácia Hospitalar e Farmácia Clínica pela Faculdade Oswaldo Cruz (FOC) em parceria com o IEPG-GO e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) - Unidade Sorocaba.

Publicado
2018-11-24

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