“É só Tiro, Porrada e Bomba” – Escola, Território de Disputa

  • Luiz Callegari Coppi Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Valesca Popozuda, limites, Foucault, Filosofia Trágica

Resumo

Este texto visa discutir a recente polêmica sobre uma questão de prova embasada em um trecho do funk “Beijinho no ombro”, de Valesca Popozuda, no “Centro de Ensino Médio 3”, de Taguatinga. A partir do debate sobre o que significa um exercício como esse e o que a celeuma em torno dele dizem sobre a Escola, o intuito desta comunicação é problematizar os limites que envolvem essa instituição. Tal problematização, todavia, não tem por horizonte a moralização da prática pedagógica ou um trabalho sobre algo como o preconceito dentro da escola, definindo o que é “certo” e o que é “errado”, o que é “aceitável” e o que é “inaceitável”. Pretendemos, na verdade, investigar quais os limites que se apresentam no dado instante em que a canção se faz ouvir dentro da sala de aula como base avaliativa e quais os efeitos dessas delimitações sobre a educação, entendida como processo formador. Nesse sentido, com o suporte da Filosofia Trágica, a qual retira de cena a verdade das grades interpretativas nas quais colamos a ideia de realidade (e com as quais a criamos), pretendemos descrever o impasse escolar. Enquanto centrada no transcendente e no absoluto como justificativas para suas práticas, a Escola arrepia-se quando entra em contato com as questões suscitadas pelo surgimento em cena desse outro (o funk, no caso), que, por sua vez, só se torna “outro” no momento em que se cristalizam os limites escolares.

Biografia do Autor

{$author}, Universidade de São Paulo

Formado bacharel em Letras e habilitado em Língua Portugueda e em Linguística pela FFLCH-USP.

Mestrando em Educação pela FEUSP, na área de Cultura, organização e Educação, com pesquisa com ênfase na Filosofia Trágica.

Publicado
2014-05-29
Seção
Artigos